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ago
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O uso racional de medicamentos na Odontologia

Author Mateus Rodrigues    Category Dicas     Tags ,

O uso indiscriminado de medicamentos em Odontologia é uma realidade. Muitos fármacos são prescritos sem indicação específica, tanto por um hábito cultural de prescrição medicamentosa quanto por desconhecimento dos cirurgiões-dentistas em farmacologia.

Inseridos nesta cultura, os pacientes não aceitam comparecer a uma consulta odontológica ou médica sem receber uma prescrição, por acreditar que não foram diagnosticados de forma correta ou tratados de acordo com esse diagnóstico. Assim, muitos profissionais acabam sendo induzidos pelos pacientes a prescrever desnecessariamente.

É notório que pouca relevância é dada à farmacologia durante a formação do cirurgião-dentista. Se, por um lado, anamnese e exames bem feitos levam a um diagnóstico exato de uma determinada patologia, por outro, tal dado não terá significância alguma sobre a prescrição se o profissional não tiver conhecimento sobre a função, posologia e indicação dos fármacos.

Estudos mostram que as classes de medicamentos mais prescritas pelos cirurgiões-dentistas são os antibióticos, anti-inflamatórios não-esteroidais e analgésicos, em ordem de frequência.

O maior desafio, atualmente, em relação à prescrição indiscriminada de medicamentos na Odontologia é combater o uso equivocado de antimicrobianos. Calcula-se que entre 10 e 50% das prescrições de antimicrobianos ambulatoriais sejam equivocadas, sejam elas por erro de diagnóstico ou erro na escolha do antibiótico. Sabe-se que os antibióticos devem ser prescritos com indicação, seleção e posologia corretas, pois seu uso abusivo tem efeitos adversos, tais como a resistência microbiana.

Esta resistência refere-se às cepas de micro-organismos que conseguem se multiplicar em presença de concentrações de antimicrobianos mais altas do que as ingeridas pelos pacientes.

O uso indevido dessas medicações acaba selecionando bactérias resistentes ao antibiótico, trazendo um problema de proporções elevadas não só para o paciente envolvido, mas também para o meio em que ele é inserido. As taxas de resistência variam de acordo com a dependência do consumo local de antimicrobianos.

O uso apropriado de antimicrobianos significa utilizá-los com indicação correta, dose, tempo ou intervalo e, principalmente, duração total, corretos. É consenso que antimicrobianos sistêmicos só devem ser selecionados caso o paciente apresente sinais e sintomas infecciosos e não apresentando somente edema, vermelhidão e calor local, que são sinais de inflamação. Ou caso o paciente aponte alguma condição que indique o uso de profilaxia antibiótica, de forma a evitar endocardite bacteriana, como exemplo, próteses valvares, endocardite prévia ou cardiopatias congênitas. Outro equívoco que acontece na hora de prescrever, é a seleção de antimicrobianos para infecções de etiologia viral, pois é de conhecimento geral que antibióticos não têm atuação em patógenos de origem viral ou fúngica, apenas bacteriana.

Outra realidade a que estamos inseridos é a automedicação por parte dos pacientes. Visto que as próprias farmácias e indústrias farmacêuticas incentivam esse comportamento por questões, obviamente, financeiras, não podemos controlar o acesso dos pacientes a estas medicações. Cabe a nós informa-los de que, ao se automedicarem, podem gerar gastos sem recompensas e, assumir, muitas vezes, a responsabilidade por uma intoxicação, ou por selecionar drogas sem efetividade para o problema em questão.

No que diz respeito ao nosso papel, como profissionais de saúde e atuantes diretos na modificação dessa realidade, cabe ressaltar a nossa importância nesta mudança de comportamento: não nos deixar inserir num ciclo vicioso que se inicia com pacientes ávidos por uma medicação milagrosa (que resolva todos os sinais e sintomas de maneira rápida, barata e indolor), gerando prescrições equivocadas por parte dos cirurgiões-dentistas que acabam resultando em pacientes multirresistentes.

Tivemos ajuda para modificar esse quadro em 2011, quando a ANVISA decretou que antimicrobianos só devem ser prescritos com receita controlada. Essa medida nos auxilia a focar nossa atenção cada vez mais na necessidade e importância de controlar essas medicações. Caso não haja mudança nesse paradigma, a conta desse problema será paga por nós mesmos, enfrentando casos que seriam de solução simples, mas que começam a apresentar complicações, pois a medicação de escolha não pode ser administrada.

via Odonto Magazine

jul
10

O tabagismo e a saúde bucal

Author Mateus Rodrigues    Category Curiosidades     Tags ,


Estudo realizado pela USP mostra ainda que a higiene oral completa, incluindo o uso de enxaguatórios, pode retardar o surgimento de doenças bucais.

Muitas vezes assuntos importantes relacionados à boca são pouco lembrados, entre eles, estão os impactos nocivos do cigarro à saúde bucal. Você sabia que, além das manchas nos dentes, o fumante apresenta maior chance de desenvolver doenças e complicações bucais do que os não fumantes?

Questões como essa, foram respondidas pelo Prof. Dr. Cláudio Mendes Pannuti, professor da Disciplina de Periodontia do curso de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores de uma pesquisa – realizada em 2010 e publicada em 2011 – feita com 52 fumantes da capital paulista, que comprova os malefícios causados pelo tabaco aos dentes. “O fumo pode aumentar em até sete vezes o risco de periodontite, doença que causa perda do suporte ósseo e que sem tratamento leva à perda do dente. Os fumantes também apresentam mais halitose, manchas dentais e têm mais chance de desenvolver câncer de boca”, afirma Pannuti.

Os participantes da pesquisa receberam ao mesmo tempo tratamento não cirúrgico periodontal e tratamento para cessação do tabagismo. “Após um ano, somente 17 participantes pararam de fumar. Apenas estes apresentaram melhora significativa na gengiva, comprovando que os riscos das doenças bucais diminuem quando não há o uso do tabaco”, comenta Dr. Pannuti.

Prevenção

O cuidado com a higiene bucal se faz necessário para todos, mas os fumantes devem se atentar ainda mais. A pesquisa, além de comprovar a associação do tabagismo às doenças orais, também ressalta os benefícios que uma limpeza bucal completa proporciona para os pacientes fumantes. “A prevenção é a maneira menos dolorida e mais econômica de cuidar da boca. A higiene poupa uma série de doenças e cabe aos fumantes manter diariamente sua boca saudável por meio dos três passos básicos: a escovação, o uso do fio dental e também do enxaguatório”, afirma.

Ainda de acordo com Pannuti os dentistas têm um papel fundamental de auxílio aos pacientes fumantes. “Estudos comprovam que 49% dos pacientes desejariam receber ajuda para parar de fumar, juntamente com o tratamento dentário, por isso cabe aos profissionais esclarecem dúvidas e orientá-los quanto aos danos causados pelo tabaco na saúde oral”, ressalta.

Preocupada com a saúde e bem-estar de seus consumidores e com a comprovação dos benefícios de seus produtos junto aos dentistas, a Johnson & Johnson reforça que apoia iniciativas como essa, que tem como intuito esclarecer e reforçar a importância da higiene bucal no Brasil.

Fonte: Odonto Magazine

Até a próxima!

jul
9

A Odontologia e a AIDS

Author Mateus Rodrigues    Category Curiosidades, Doenças     Tags ,

E ainda respostas à epidemia, que mexeram com aspectos sociais, culturais, crenças religiosas e verdades científicas.

A luta contra a Aids está longe do fim. As Nações Unidas divulgaram recentemente que cerca de 35 milhões de pessoas no mundo convivem com o vírus HIV, que pode causar a Aids. O novo balanço de soropositivos foi divulgado pela UNAIDS, braço da organização que mantém estatísticas e iniciativas sobre a doença. O número recorde, segundo a agência, deve-se ao prolongamento cada vez maior da vida de pessoas contaminadas, graças aos avanços nas terapias contra doença.

Desde o início da epidemia, a Aids vem sofrendo mudanças importantes. O primeiro ciclo foi caracterizado pela infecção majoritária de homossexuais ou bissexuais masculinos. O segundo,

marcado pelo incremento significativo da categoria usuário de droga injetável e da heterossexualização da epidemia. No terceiro, observamos um avanço acentuado de transmissão heterossexual e o crescimento nos casos de mulheres soropositivas e, em consequência, a ocorrência da transmissão vertical. No atual momento da epidemia, assiste-se um avanço da Aids nos adolescentes iniciados sexualmente e, principalmente, na terceira idade.

No começo da epidemia, os pacientes, muitas vezes, não viviam mais do que dois anos após desenvolver a doença. Atualmente, os cientistas desenvolveram categorias de drogas que evitam a multiplicação do vírus HIV que, usadas em combinações conhecidas como “coquetel”, ajudam os pacientes a viverem por um período maior de tempo e com melhor qualidade de vida.

Manifestações bucais

As manifestações bucais da infecção pelo HIV são frequentes e podem representar os primeiros sinais clínicos da doença. Podem ser indicadoras de comprometimento imunológico, minimizando o tempo de evolução da doença até a fase de Aids. Desde o início da epidemia, muitas manifestações bucais foram relacionadas à infecção pelo HIV. Diversos autores relatam que o estudo dessas manifestações bucais é fundamental para auxiliar o entendimento da epidemiologia da Aids.

Com o início da terapia antirretroviral altamente potente (HAART), pesquisadores verificaram a redução acentuada na ocorrência de infecções oportunistas, mas outras manifestações e complicações, relacionadas aos efeitos adversos causados pela HAART, tornaram-se muito frequentes, sendo as sialolitíases, as xerostomias, aumento volumétrico da parótida, os líquen planos, as pigmentações mucosas medicamentosas, as mucoceles, as rânulas e os hemangiomas.

Mesmo assim, as manifestações bucais podem representar os primeiros sinais clínicos da doença, sendo indicadoras de comprometimento imunológico, do tempo de evolução da doença, como marcadores de infecção, como avaliadores da adesão dos pacientes aos esquemas terapêuticos, do diagnóstico precoce das infecções e indicadores da falência terapêutica.

As DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) de notificação compulsória são Aids, HIV na gestante/criança exposta, sífilis na gestação e sífilis congênita. Para as outras DSTs não há um sistema

de notificação, dificultando a sua visibilidade. As DSTs funcionam como cofator para transmissão do HIV, sendo que as úlceras orais e genitais facilitam e aumentam em 4,7 vezes a infecção; a gonorreia em 4,7 vezes; o herpes em 3,3 vezes; e a sífilis em três vezes. Importante ressaltar que o HPV é um importante facilitador em 3,7 vezes, e comprovadamente, é um dos grandes responsáveis pelo câncer em cavidade bucal.

O cirurgião-dentista tem um papel importante no diagnóstico das manifestações oportunistas, na descrição clínica do paciente e no diagnóstico da infecção pelo HIV. Para tanto, deve o cirurgião-dentista estar treinado e capacitado sobre as intercorrências dessas patologias, sabendo diagnosticá-las e tratá-las a contento.

Devemos ressaltar a importância vital que o Programa Municipal em DST/Aids tem junto aos Serviços de Saúde, pois com os seus 15 Centros de Atendimentos Especializados, compõe também no seu quadro de recursos humanos, cirurgiões-dentistas.

A atuação direta junto a estes grupos de trabalho surtiu importantes frutos na área do conhecimento, sendo esses conhecimentos aplicados com a finalidade da promoção da saúde, bem-estar e melhorias na qualidade de vida, frente aos sofrimentos humanos.

Fonte: Odonto Magazine

Até a próxima!