Mostrando todos os artigos de agosto, 2012
ago
20

Medicina Periodontal

Author Mateus Rodrigues    Category Geral     Tags

Desde os primórdios da história da Odontologia, os que a ela se dedicam perceberam algum nível de relação desta com outras situações da saúde.

Ao longo do século XX, consolidou-se a percepção clínica e científica de que determinadas complicações da saúde poderiam afetar dentes, periodonto e outros tecidos bucais.

Ao final deste período, por iniciativa do pesquisador americano Steven Offenbacher, surgiu a denominação Medicina Periodontal ou Periodontia Médica.

Seu intento era o de ressaltar que, além do potencial agravamento das repercussões periodontais para fumantes, diabéticos e outros menos habilitados sistêmicos, a pré-existência de problemas periodontais poderia incrementar o risco para complicações da saúde, caso das doenças cardiovasculares, do diabetes mellitus, das doenças respiratórias e do parto prematuro com o surgimento de bebês de baixo peso ao nascer.

As evoluções obtidas a partir dos primeiros relatos epidemiológicos que traçaram o potencial dessa “relação de risco sistêmico”, à partir de problemas periodontais pré-existentes, veio em boa hora e persiste enriquecida pelas novas associações cogitadas e um questionamento mais profundo deste potencial de risco pelo problema periodontal pré-existente.

Apesar de dispormos de evidências que ligam a pré-existência da doença periodontal com aumento no risco de complicações da saúde, não se pode afirmar em 100% uma associação causa, efeito desta para os quadros sistêmicos.

Ao mesmo tempo não se pode descartar esse potencial da doença periodontal para cooperar com o agravamento dos quadros de comprometimento do estado geral e, principalmente, não podemos deixar de observar, como bem disse o grande cardiologista Paul Ridker, na abertura do Congresso Americano de Periodontia de 2009 – Boston, que a pré-existência de sinais inflamatórios intensos e sequelas periodontais pode se relacionar com um perfil fenotípico hiper-inflamatório que repercutiria no maior potencial para surgimento e agravamento tanto da doença periodontal, como dos problemas cardiovasculares, partos prematuros, complicações do diabetes e outras doenças degenerativas, listadas ao longo deste texto.

A ciência está apenas dando o pontapé inicial na elucidação do peso da doença periodontal como fator de comprometimento da saúde. Participar e/ou acompanhar essas pesquisas é dever de todo profissional de saúde.

via Odonto Magazine

ago
15

Cursos de Odontologia em Santa Catarina

Author Mateus Rodrigues    Category Cursos     Tags

Confira os Cursos de Odontologia (Santa Catarina) deste mês da NAEO!

Mais informações acesse: http://www.naeo.com.br

ago
15

O uso racional de medicamentos na Odontologia

Author Mateus Rodrigues    Category Dicas     Tags ,

O uso indiscriminado de medicamentos em Odontologia é uma realidade. Muitos fármacos são prescritos sem indicação específica, tanto por um hábito cultural de prescrição medicamentosa quanto por desconhecimento dos cirurgiões-dentistas em farmacologia.

Inseridos nesta cultura, os pacientes não aceitam comparecer a uma consulta odontológica ou médica sem receber uma prescrição, por acreditar que não foram diagnosticados de forma correta ou tratados de acordo com esse diagnóstico. Assim, muitos profissionais acabam sendo induzidos pelos pacientes a prescrever desnecessariamente.

É notório que pouca relevância é dada à farmacologia durante a formação do cirurgião-dentista. Se, por um lado, anamnese e exames bem feitos levam a um diagnóstico exato de uma determinada patologia, por outro, tal dado não terá significância alguma sobre a prescrição se o profissional não tiver conhecimento sobre a função, posologia e indicação dos fármacos.

Estudos mostram que as classes de medicamentos mais prescritas pelos cirurgiões-dentistas são os antibióticos, anti-inflamatórios não-esteroidais e analgésicos, em ordem de frequência.

O maior desafio, atualmente, em relação à prescrição indiscriminada de medicamentos na Odontologia é combater o uso equivocado de antimicrobianos. Calcula-se que entre 10 e 50% das prescrições de antimicrobianos ambulatoriais sejam equivocadas, sejam elas por erro de diagnóstico ou erro na escolha do antibiótico. Sabe-se que os antibióticos devem ser prescritos com indicação, seleção e posologia corretas, pois seu uso abusivo tem efeitos adversos, tais como a resistência microbiana.

Esta resistência refere-se às cepas de micro-organismos que conseguem se multiplicar em presença de concentrações de antimicrobianos mais altas do que as ingeridas pelos pacientes.

O uso indevido dessas medicações acaba selecionando bactérias resistentes ao antibiótico, trazendo um problema de proporções elevadas não só para o paciente envolvido, mas também para o meio em que ele é inserido. As taxas de resistência variam de acordo com a dependência do consumo local de antimicrobianos.

O uso apropriado de antimicrobianos significa utilizá-los com indicação correta, dose, tempo ou intervalo e, principalmente, duração total, corretos. É consenso que antimicrobianos sistêmicos só devem ser selecionados caso o paciente apresente sinais e sintomas infecciosos e não apresentando somente edema, vermelhidão e calor local, que são sinais de inflamação. Ou caso o paciente aponte alguma condição que indique o uso de profilaxia antibiótica, de forma a evitar endocardite bacteriana, como exemplo, próteses valvares, endocardite prévia ou cardiopatias congênitas. Outro equívoco que acontece na hora de prescrever, é a seleção de antimicrobianos para infecções de etiologia viral, pois é de conhecimento geral que antibióticos não têm atuação em patógenos de origem viral ou fúngica, apenas bacteriana.

Outra realidade a que estamos inseridos é a automedicação por parte dos pacientes. Visto que as próprias farmácias e indústrias farmacêuticas incentivam esse comportamento por questões, obviamente, financeiras, não podemos controlar o acesso dos pacientes a estas medicações. Cabe a nós informa-los de que, ao se automedicarem, podem gerar gastos sem recompensas e, assumir, muitas vezes, a responsabilidade por uma intoxicação, ou por selecionar drogas sem efetividade para o problema em questão.

No que diz respeito ao nosso papel, como profissionais de saúde e atuantes diretos na modificação dessa realidade, cabe ressaltar a nossa importância nesta mudança de comportamento: não nos deixar inserir num ciclo vicioso que se inicia com pacientes ávidos por uma medicação milagrosa (que resolva todos os sinais e sintomas de maneira rápida, barata e indolor), gerando prescrições equivocadas por parte dos cirurgiões-dentistas que acabam resultando em pacientes multirresistentes.

Tivemos ajuda para modificar esse quadro em 2011, quando a ANVISA decretou que antimicrobianos só devem ser prescritos com receita controlada. Essa medida nos auxilia a focar nossa atenção cada vez mais na necessidade e importância de controlar essas medicações. Caso não haja mudança nesse paradigma, a conta desse problema será paga por nós mesmos, enfrentando casos que seriam de solução simples, mas que começam a apresentar complicações, pois a medicação de escolha não pode ser administrada.

via Odonto Magazine